Documentação Técnica — Structutor

Módulo
Vigas de Concreto Armado
Versão
0.1 — Beta
Finalidade
Descrever os procedimentos de cálculo, análise, dimensionamento, verificações e detalhamento atualmente adotados.

1. Fundamentos

Escopo do módulo

O módulo atual trata vigas retas de concreto armado, prismáticas, com seção transversal retangular constante e carregamentos verticais. A viga é analisada no plano de flexão vertical, com um eixo longitudinal \(x\), apoios definidos por pilares e ações concentradas ou distribuídas ao longo do comprimento.

Os resultados técnicos abrangem reações verticais, diagramas de momento fletor e esforço cortante, deslocamentos verticais, envoltórias de ELU e ELS, armaduras longitudinal e transversal, verificações de resistência e serviço disponíveis, detalhamento de barras, memorial de cálculo e desenho técnico em DXF.

Item Considerado no módulo Delimitação técnica
Elemento estrutural Viga isolada, reta, de concreto armado. Não há análise espacial, pórtico global, grelha ou interação automática com lajes.
Seção Retangular, com \(b_w\) e \(h\) constantes. Mesas colaborantes, seções T, L, I, circulares, vazadas ou variáveis não compõem o escopo atual.
Ações Peso próprio, ações permanentes e ações variáveis verticais, pontuais ou uniformemente distribuídas. Ações horizontais, axiais, térmicas, sísmicas, dinâmicas, recalques, deslocamentos impostos e momentos aplicados pelo usuário não são tratados automaticamente.
Dimensionamento Flexão simples, cisalhamento por estribos verticais, armadura mínima, armadura máxima longitudinal, abertura de fissuras e flechas de serviço. Torsão, punção, fadiga, incêndio, aberturas, protensão e armaduras inclinadas não são verificados automaticamente.

2. Convenções

Grandezas e convenções

A coordenada principal da viga é \(x\), medida em metros a partir da extremidade esquerda informada pelo usuário. O comprimento geométrico informado é \(L\). Quando a largura de um apoio de extremidade ultrapassa o limite \(0\) ou \(L\), o eixo de análise é prolongado até a face externa desse apoio para representar o balanço geométrico do pilar.

Momentos positivos correspondem à tração na face inferior da viga. Momentos negativos correspondem à tração na face superior. As envoltórias de momento são mantidas separadas em parcela positiva \(M_{z,+}\) e negativa \(M_{z,-}\); para dimensionamento, usa-se o valor absoluto da solicitação em cada face tracionada.

Símbolo Descrição Unidade
\(L\)Comprimento geométrico informado para a viga.m
\(b_w\)Largura da seção retangular da viga.m ou mm
\(h\)Altura total da seção retangular.m ou mm
\(c_{nom}\)Cobrimento informado pelo usuário e usado no detalhamento.m ou mm
\(d\)Altura útil até o centro de gravidade da armadura tracionada considerada.m ou mm
\(M_{Sd}\)Momento fletor solicitante de cálculo após envoltória, redistribuição quando aplicável e decalagem.kN·m
\(V_{Sd}\)Esforço cortante solicitante de cálculo obtido da envoltória de ELU.kN
\(A_s\)Área de aço longitudinal requerida ou fornecida, conforme o contexto.cm²
\(A_{sw}/s\)Área de ramos de estribos por metro de viga.cm²/m

3. Fundamentos

Materiais

O concreto é definido pela classe de resistência informada, como C25 ou C30. As propriedades derivadas são calculadas a partir de \(f_{ck}\), em MPa. O módulo secante \(E_{cs}\) é usado na rigidez elástica da viga e dos pilares representados. O agregado considerado para o coeficiente \(\alpha_E\) é granito/gnaisse, com \(\alpha_E = 1{,}0\).

\[ f_{cm}=f_{ck}+8 \] \[ f_{ctm}= \begin{cases} 0{,}3 f_{ck}^{2/3}, & f_{ck}\leq 50\text{ MPa}\\ 2{,}12\ln(1+0{,}11f_{ck}), & f_{ck}>50\text{ MPa} \end{cases} \] \[ f_{ctk,inf}=0{,}7f_{ctm} \qquad f_{ctk,sup}=1{,}3f_{ctm} \]
Propriedades do concreto consideradas a partir da resistência característica.
\[ E_{ci}= \begin{cases} \alpha_E\,5600\sqrt{f_{ck}}, & f_{ck}\leq 50\text{ MPa}\\ \alpha_E\,21500\left(\frac{f_{ck}}{10}+1{,}25\right)^{1/3}, & f_{ck}>50\text{ MPa} \end{cases} \] \[ \alpha_i=0{,}8+0{,}2\frac{f_{ck}}{80} \qquad E_{cs}=\alpha_i E_{ci} \qquad G_c=\frac{E_{cs}}{2{,}4} \] \[ f_{cd}=\frac{f_{ck}}{\gamma_c} \qquad f_{ctd}=\frac{f_{ctk,inf}}{\gamma_c} \]
Módulos e resistências de cálculo usados no módulo.
Símbolo Descrição Unidade
\(f_{ck}\)Resistência característica do concreto à compressão.MPa
\(f_{cm}\)Resistência média do concreto à compressão.MPa
\(f_{ctm}\)Resistência média do concreto à tração direta.MPa
\(f_{ctk,inf}\)Resistência característica inferior do concreto à tração.MPa
\(f_{ctk,sup}\)Resistência característica superior do concreto à tração.MPa
\(E_{ci}\)Módulo de elasticidade inicial do concreto.MPa
\(E_{cs}\)Módulo de elasticidade secante do concreto.MPa
\(G_c\)Módulo de elasticidade transversal do concreto.MPa
\(\alpha_E\)Coeficiente associado ao tipo de agregado do concreto.-
\(\alpha_i\)Coeficiente de ajuste entre módulo inicial e módulo secante.-
\(\gamma_c\)Coeficiente de ponderação da resistência do concreto.-
\(\gamma_s\)Coeficiente de ponderação da resistência do aço.-
\(f_{cd}\)Resistência de cálculo do concreto à compressão.MPa
\(f_{ctd}\)Resistência de cálculo do concreto à tração.MPa
\(\eta_c\)Coeficiente de ajuste do bloco comprimido de concreto.-
\(E_s\)Módulo de elasticidade do aço.MPa
\(\phi\)Diâmetro nominal da barra de aço considerada.mm
Grandeza Critério adotado Uso
\(\gamma_c\)1,4 para ELU normal; 1,0 em verificações de serviço.Resistência de cálculo do concreto.
\(\gamma_s\)1,15 para ELU normal; 1,0 em serviço.Resistência de cálculo do aço.
\(\eta_c\)\(1{,}0\) para \(f_{ck}\leq40\) MPa; \((40/f_{ck})^{1/3}\) para \(f_{ck}>40\) MPa.Bloco comprimido na flexão.
Aço por bitolaCA-60 para \(\phi\leq6{,}3\) mm; CA-50 para \(\phi>6{,}3\) mm.Armaduras longitudinais, transversais, pele, ancoragens e emendas.
\(E_s\)210000 MPa.Transformação de seções e verificações de serviço.
Diâmetro máximo do agregado19 mm.Critérios geométricos de alojamento.

Referência normativa considerada neste procedimento: ABNT NBR 6118:2026, itens 8.2.10.1, 8.3.2 e relações utilizadas no memorial de cálculo do módulo.

4. Solicitações

Ações e combinações

As ações consideradas são classificadas em peso próprio, permanentes e variáveis. O peso próprio da viga é ativado como carregamento distribuído em todo o comprimento e usa peso específico do concreto armado igual a \(25\,\text{kN/m}^3\).

\[ q_{pp}=25\,b_w\,h \]
Carga distribuída de peso próprio, com b_w e h em metros.

Uma carga distribuída uniforme informada entre \(x_i\) e \(x_f\) é tratada com intensidade \(q\) em kN/m no trecho. A resultante equivalente é \(W=q(x_f-x_i)\). Uma carga pontual é aplicada na posição informada, em kN. Todas as ações variáveis informadas participam simultaneamente das combinações; não há alternância automática de carregamento por vãos.

Tipo de combinação Expressão Critério
ELU normal \(F_d=1{,}4G+1{,}4Q_{k,r}+\sum_{i\neq r}1{,}4\psi_{0,i}Q_{k,i}\) Cada ação variável é tomada uma vez como principal. Se não houver ação variável, usa-se \(F_d=1{,}4G\).
ELS quase permanente \(F_{ser}=G+\sum_i\psi_{2,i}Q_{k,i}\) Usada para flecha total visível e histórico de deformações de longa duração.
ELS frequente \(F_{ser}=G+\psi_{1,r}Q_{k,r}+\sum_{i\neq r}\psi_{2,i}Q_{k,i}\) Usada em verificações de serviço, incluindo fissuração quando aplicável.
ELS rara \(F_{ser}=G+Q_{k,r}+\sum_{i\neq r}\psi_{1,i}Q_{k,i}\) Usada para situações de serviço com variável principal integral.
Categoria de uso ψ0 ψ1 / ψ2
Residencial ou sem predominância de pesos/concentração de pessoas0,50,4 / 0,3
Comercial ou com predominância de pesos/concentração de pessoas0,70,6 / 0,4
Outros, bibliotecas, arquivos, oficinas e garagens0,80,7 / 0,6
Vento, quando a ação variável é assim classificada0,60,3 / 0,0
Símbolo Descrição Unidade
\(q_{pp}\)Carga distribuída de peso próprio da viga.kN/m
\(q\)Intensidade de carga uniformemente distribuída informada em um trecho.kN/m
\(x_i\)Coordenada inicial de uma carga distribuída ou barra.m
\(x_f\)Coordenada final de uma carga distribuída ou barra.m
\(W\)Resultante equivalente de uma carga distribuída uniforme.kN
\(G\)Parcela permanente considerada na combinação.kN ou kN/m
\(Q_{k,r}\)Ação variável característica tomada como principal na combinação.kN ou kN/m
\(Q_{k,i}\)Demais ações variáveis características participantes da combinação.kN ou kN/m
\(F_d\)Efeito de cálculo para combinação de ELU.kN ou kN/m
\(F_{ser}\)Efeito de serviço para combinações de ELS.kN ou kN/m
\(r\)Índice da ação variável tomada como principal.-
\(i\)Índice de ação variável na somatória.-
\(\psi_0,\psi_1,\psi_2\)Coeficientes de combinação de ações variáveis.-

5. Análise

Modelo estrutural

A análise considera viga de Euler-Bernoulli em regime linear elástico para obtenção de reações, deslocamentos e esforços. Cada nó possui deslocamento vertical \(v\) e rotação \(\theta\). A rigidez à flexão usa \(E_{cs}I_{an}\), com inércia bruta retangular, exceto nos trechos em que a altura efetiva junto aos apoios ou a representação rígida do apoio altera a rigidez local.

\[ I_c=\frac{b_w h^3}{12} \] \[ k_e=\frac{E_{cs}I_{an}}{\ell^3} \begin{bmatrix} 12 & 6\ell & -12 & 6\ell\\ 6\ell & 4\ell^2 & -6\ell & 2\ell^2\\ -12 & -6\ell & 12 & -6\ell\\ 6\ell & 2\ell^2 & -6\ell & 4\ell^2 \end{bmatrix} \]
Inércia bruta da seção retangular e matriz local de flexão do elemento de comprimento ℓ.

Os nós são posicionados nos extremos da viga, eixos dos apoios, faces dos apoios, inícios e finais de cargas distribuídas, posições de cargas pontuais e pontos intermediários de refinamento. Essa discretização permite representar descontinuidades de carga e esforços nos locais relevantes para análise e dimensionamento.

\[ \mathbf{K}\mathbf{u}=\mathbf{F} \]
Sistema global de equilíbrio.

Apoios, pilares e rotações

Em cada apoio, o deslocamento vertical é restringido no eixo do pilar. A rotação pode receber rigidez equivalente dos pilares conectados e rigidez associada ao coeficiente de engastamento nas faces. Quando não informado de outro modo, o pilar inferior participa e o superior não participa da rigidez rotacional.

\[ I_p=\frac{b_p h_p^3}{12} \qquad L_{p,ef}=\max\left(\frac{L_p}{2}-0{,}30h,\;0\right) \] \[ k_{\theta,p}=\frac{4E_{cs}I_p}{L_{p,ef}} \]
Rigidez rotacional equivalente de um lance de pilar conectado à viga.

Para o coeficiente de engastamento informado em uma face, \(c_{\theta}\), aplica-se uma relação não linear antes de convertê-lo em mola rotacional. Com \(c_{ef}=c_{\theta}^{2{,}5}\) e \(k_{ref}=4E_{cs}I_{an}/L_v\), a rigidez adotada para valores intermediários é:

\[ k_{\theta}=\frac{2k_{ref}c_{ef}}{1-c_{ef}} \qquad 0
Conversão do coeficiente de engastamento da face em rigidez rotacional.

Para \(c_{\theta}=0\), a contribuição de engastamento é nula. Para \(c_{\theta}=1\), a rotação é tratada como praticamente impedida. Os valores padrão de apoio, quando ausentes nos dados, usam largura de apoio de 30 cm, dimensão transversal de pilar de 14 cm e comprimento de lance de 2,5 m.

Regiões de apoio e altura efetiva

As faces dos apoios são consideradas explicitamente. Os trechos internos aos apoios são representados com rigidez flexional majorada, descontando regiões de transição de \(0{,}30h\) junto às faces. Além disso, quando a contribuição geométrica do pilar inferior ou superior está ativa, a altura efetiva da seção aumenta junto ao apoio por uma propagação com inclinação 1:2, coerente com o critério de variação abrupta de altura adotado no módulo.

\[ h_{ef}(x)=h+\Delta h_{apoio}(x) \qquad I_{ef}(x)=\frac{b_w h_{ef}(x)^3}{12} \]
Rigidez local com altura efetiva junto a apoios.

Determinação dos esforços internos

Após a solução de equilíbrio, as reações são obtidas pelas restrições verticais e molas rotacionais. Em cada elemento, os esforços nodais equivalentes são determinados por equilíbrio local; sob carga uniformemente distribuída \(q\), os esforços ao longo do elemento são avaliados por:

\[ V(x_{loc})=V_{el,0}-qx_{loc} \] \[ M(x_{loc})=-M_{el,0}+V_{el,0}x_{loc}-\frac{q x_{loc}^2}{2} \]
Determinação local de esforço cortante e momento fletor.
Símbolo Descrição Unidade
\(v\)Deslocamento vertical nodal.m
\(\theta\)Rotação nodal.rad
\(\mathbf{K}\)Matriz global de rigidez estrutural.kN/m, kN e kN·m/rad por termo
\(\mathbf{u}\)Vetor global de deslocamentos e rotações nodais.m e rad
\(\mathbf{F}\)Vetor global de forças e momentos nodais equivalentes.kN e kN·m
\(k_e\)Matriz local de rigidez à flexão de um elemento.kN/m, kN e kN·m/rad por termo
\(\ell\)Comprimento do elemento finito de viga.m
\(I_{an}\)Inércia adotada na análise elástica do elemento.m⁴
\(I_c\)Inércia bruta da seção retangular de concreto.m⁴
\(I_p\)Inércia da seção do pilar conectado à viga.m⁴
\(b_p\)Dimensão do pilar na direção considerada para a flexão.m
\(h_p\)Dimensão transversal do pilar usada no cálculo de inércia.m
\(L_p\)Comprimento geométrico do lance de pilar.m
\(L_{p,ef}\)Comprimento efetivo do lance de pilar para rigidez rotacional.m
\(k_{\theta,p}\)Rigidez rotacional equivalente de um lance de pilar.kN·m/rad
\(c_{\theta}\)Coeficiente de engastamento informado para uma face de apoio.-
\(c_{ef}\)Coeficiente efetivo usado na conversão não linear do engastamento.-
\(k_{ref}\)Rigidez rotacional de referência para a face engastada.kN·m/rad
\(L_v\)Comprimento do vão associado à face de apoio.m
\(k_{\theta}\)Rigidez rotacional adotada para a face de apoio.kN·m/rad
\(h_{ef}\)Altura efetiva local considerada junto aos apoios.m
\(\Delta h_{apoio}\)Acréscimo local de altura por contribuição geométrica do apoio.m
\(I_{ef}\)Inércia efetiva local associada à altura efetiva.m⁴
\(x_{loc}\)Coordenada local dentro de um elemento de viga.m
\(V_{el,0}\)Cortante local determinado no início do elemento.kN
\(M_{el,0}\)Momento local determinado no início do elemento.kN·m

Nas regiões dos apoios, os diagramas são suavizados entre as faces por interpolação cúbica, preservando os valores nas faces e a coerência entre momento e cortante. Esse pós-processamento evita que a largura física dos pilares seja tratada como um ponto sem extensão.

Referência normativa considerada neste procedimento: ABNT NBR 6118:2026, itens 14.6.2.3, 14.6.4.3, 14.6.4.4 e 14.6.6.1, conforme referências do memorial e da matriz técnica do módulo.

6. Solicitações de projeto

Envoltórias e redistribuição

Cada combinação de ELU normal é analisada separadamente. As envoltórias de projeto retêm, em cada posição \(x\), o maior momento positivo, o menor momento negativo e os extremos positivos e negativos de cortante. As origens das solicitações críticas são preservadas para que os coeficientes de resistência correspondam à combinação que produziu cada valor.

\[ M_{z,+}(x)=\max\nolimits_m M_{z,m}(x) \qquad M_{z,-}(x)=\min\nolimits_m M_{z,m}(x) \] \[ V_{y,+}(x)=\max\nolimits_m V_{y,m}(x) \qquad V_{y,-}(x)=\min\nolimits_m V_{y,m}(x) \]
Definição das envoltórias por posição.

A redistribuição de momentos é aplicada apenas aos momentos negativos de apoio usados no dimensionamento à flexão. O fator ativo reduz o valor elástico negativo em 15%, equivalente a multiplicar o momento negativo por 0,85 nas regiões tratadas.

\[ M_{neg,red}=0{,}85\,M_{neg,el} \]
Redistribuição adotada para momentos negativos de apoio.
Símbolo Descrição Unidade
\(m\)Índice da combinação de ELU analisada na formação da envoltória.-
\(M_{z,m}\)Momento fletor da combinação \(m\) na direção \(z\).kN·m
\(V_{y,m}\)Esforço cortante da combinação \(m\) na direção \(y\).kN
\(M_{z,+}\)Envoltória de momento positivo por posição.kN·m
\(M_{z,-}\)Envoltória de momento negativo por posição.kN·m
\(V_{y,+}\)Envoltória de cortante positivo por posição.kN
\(V_{y,-}\)Envoltória de cortante negativo por posição.kN
\(M_{neg,el}\)Momento negativo elástico antes da redistribuição.kN·m
\(M_{neg,red}\)Momento negativo após a redistribuição adotada.kN·m

A correção decorrente da redistribuição é propagada linearmente nos vãos adjacentes para formar o diagrama de dimensionamento longitudinal. Reações, cortantes, deslocamentos e verificações de serviço permanecem baseados na análise elástica original.

7. Dimensionamento

Armadura longitudinal

O dimensionamento longitudinal separa momentos positivos e negativos. Para momentos positivos, a armadura tracionada é inferior; para momentos negativos, a armadura tracionada é superior. O momento de cálculo usado em cada ponto é obtido da envoltória de projeto, com redistribuição quando aplicável, e depois passa pela decalagem \(a_l=0{,}5d\).

\[ a_l=0{,}5d \] \[ M_{Sd,dec}(x)=\max_{x_s:\,|x-x_s|\leq a_l(x_s)} |M_{Sd}(x_s)| \]
Decalagem do momento fletor para dimensionamento longitudinal.

A altura útil é determinada a partir da posição real das barras quando o detalhamento já existe. A posição de cálculo considera o centro de gravidade da armadura tracionada em cada seção. Quando ainda não há geometria suficiente para essa determinação, usa-se \(d=h-c_{nom}-15\text{ mm}\), limitado pela distância ao eixo de uma bitola de referência quando aplicável.

\[ x_{LN}=1{,}25d\left(1-\sqrt{1-\frac{M_{Sd}}{0{,}425\,b_w\,d^2\,\eta_c f_{cd}}}\right) \] \[ A_{s,calc}=\frac{M_{Sd}}{f_{yd}(d-x_{LN}/2)} \]
Modelo resistente de flexão simples usado para obter a área requerida.

Nas expressões acima, \(M_{Sd}\) é convertido para N·mm, \(b_w\) e \(d\) são usados em mm, \(f_{cd}\) e \(f_{yd}\) em MPa, e \(A_s\) é convertido para cm² ao final. A classe de aço de referência segue a bitola: CA-60 até 6,3 mm e CA-50 acima desse limite.

Armadura mínima de flexão

A armadura mínima é tomada como o maior valor entre o critério por momento mínimo e o mínimo absoluto de \(0{,}15\%\) da área de concreto da seção.

\[ W_0=\frac{b_w h^2}{6} \qquad M_{d,min}=0{,}8W_0 f_{ctk,sup} \] \[ A_{s,min}=\max\left(A_s(M_{d,min}),\;0{,}0015\,b_w h\right) \]
Momento mínimo e área mínima longitudinal.

Armadura positiva junto aos apoios

A armadura positiva é majorada junto aos apoios quando a tração de apoio exigir parcela adicional. Em apoios de extremidade, considera-se uma contribuição associada ao esforço cortante; nos demais casos, a armadura positiva junto ao apoio é vinculada à armadura positiva do vão adjacente e à relação entre momento negativo de apoio e momento positivo do vão.

\[ A_{s,apoio}=\max\left(\frac{0{,}5V_{Sd}}{f_{yd}},\;\lambda A_{s,vão}\right) \] \[ \lambda= \begin{cases} 1/4, & |M_{apoio}|>0{,}5M_{vão}\\ 1/3, & |M_{apoio}|\leq0{,}5M_{vão} \end{cases} \]
Critério de armadura positiva junto aos apoios.

O valor requerido final em cada posição é o maior entre a demanda de momento, a contribuição junto ao apoio quando existir e a armadura mínima aplicável à face analisada.

Símbolo Descrição Unidade
\(a_l\)Comprimento de decalagem do diagrama de momentos.m
\(x_s\)Coordenada fonte pesquisada dentro do intervalo de decalagem.m
\(M_{Sd,dec}\)Momento solicitante de cálculo após decalagem.kN·m
\(x_{LN}\)Profundidade da linha neutra no dimensionamento à flexão simples.mm
\(A_{s,calc}\)Área de aço calculada pela demanda de flexão.cm²
\(W_0\)Módulo resistente elástico da seção bruta retangular.mm³
\(M_{d,min}\)Momento mínimo usado para armadura mínima de flexão.kN·m
\(A_s(M_{d,min})\)Área de aço associada ao momento mínimo.cm²
\(A_{s,min}\)Área mínima de aço longitudinal.cm²
\(A_{s,apoio}\)Área positiva mínima requerida junto ao apoio.cm²
\(A_{s,vão}\)Área positiva requerida ou fornecida no vão adjacente.cm²
\(M_{apoio}\)Momento negativo de referência no apoio.kN·m
\(M_{vão}\)Momento positivo de referência no vão adjacente.kN·m
\(\lambda\)Fator de vinculação da armadura positiva do apoio à armadura do vão.-

Referência normativa considerada neste procedimento: ABNT NBR 6118:2026, itens 17.2.2, 17.3.5.2.1, 17.3.5.2.4 e 18.3.2.3.1, conforme escopo implementado no módulo.

8. Detalhamento resistente

Armadura fornecida e área efetiva

O módulo distingue três grandezas: a área requerida \(A_{s,req}\), a área geométrica fornecida \(A_{s,forn}\) e a área efetivamente resistente \(A_{s,ef}(x)\). A área efetiva considera a posição física das barras, o desenvolvimento por aderência, ganchos e continuidade por emenda.

Etapa Critério adotado Resultado
Barras de baseSão geradas barras inferiores e superiores contínuas, com pelo menos duas barras por face. A área alvo parte do mínimo e incorpora parcela da demanda acima do mínimo quando necessário.Armadura longitudinal contínua para cada face.
Reforços localizadosTrechos onde \(A_{s,req}\) excede a base são segmentados, prolongados por desenvolvimento e arredondados para fora.Barras adicionais com início e fim físicos.
Bitolas e combinaçõesSão avaliadas combinações cadastradas de barras, filtradas pela largura disponível, área requerida e quantidade de camadas.Escolha da menor área suficiente dentro das restrições geométricas.
CamadasAté três camadas são consideradas. Reforços em camadas superiores têm restrições adicionais de quantidade e comprimento.Centro de gravidade real para cálculo de \(d\).
Comprimento máximoComprimento de corte máximo de 12 m por barra.Barras mais longas são divididas por emenda quando necessário.

O alojamento longitudinal exige espaçamentos livres mínimos. Para uma camada com barras longitudinais de diâmetro \(\phi_l\), considera-se:

\[ a_{h,min}=\max(20\text{ mm},\phi_l,1{,}2d_{agg}) \] \[ a_{v,min}=\max(20\text{ mm},\phi_l,0{,}5d_{agg}) \]
Espaçamentos livres mínimos para barras longitudinais.

O comprimento horizontal das barras é medido no eixo local da viga. Quando uma barra chega à extremidade e o apoio avança para fora do vão geométrico, a extensão externa do apoio é incluída no comprimento horizontal. O comprimento de corte soma comprimento horizontal, extensões de apoio e ganchos, com arredondamento para cima em múltiplos de 5 cm.

\[ A_{s,ef}(x)=A_{s,nom}\, \min\left(1,\frac{x-x_i}{l_b},\frac{x_f-x}{l_b}\right) \]
Área efetiva desenvolvida ao longo de uma barra reta sem gancho.

Em barras com gancho, o desenvolvimento próximo à extremidade é bilinear: 30% da área nominal se desenvolve nos primeiros \(5\phi\); os 70% restantes se desenvolvem no comprimento complementar \(0{,}7l_b-5\phi\), quando positivo. Em regiões de emenda por traspasse, barras contínuas por emenda não têm suas áreas somadas em dobro para a mesma linha resistente.

Símbolo Descrição Unidade
\(A_{s,req}\)Área de aço longitudinal requerida pela análise e verificações.cm²
\(A_{s,forn}\)Área geométrica total de aço fornecida pelas barras escolhidas.cm²
\(A_{s,ef}\)Área efetivamente resistente desenvolvida na posição analisada.cm²
\(A_{s,nom}\)Área nominal da barra ou conjunto de barras considerado.cm²
\(a_{h,min}\)Espaçamento livre horizontal mínimo entre barras longitudinais.mm
\(a_{v,min}\)Espaçamento livre vertical mínimo entre camadas de barras.mm
\(\phi_l\)Diâmetro nominal da barra longitudinal considerada no alojamento.mm
\(d_{agg}\)Diâmetro máximo característico do agregado.mm
\(x_i\)Coordenada inicial da barra ou do trecho de desenvolvimento.m
\(x_f\)Coordenada final da barra ou do trecho de desenvolvimento.m
\(l_b\)Comprimento básico de ancoragem usado no desenvolvimento da barra.m ou mm

9. Aderência

Ancoragem, ganchos e emendas

A ancoragem é tratada por aderência da armadura passiva. A resistência de aderência depende da classe do aço, da posição da barra e da resistência de cálculo à tração do concreto. Barras inferiores próximas à face inferior são tratadas como boa aderência nas condições correntes do módulo; barras superiores podem receber condição de má aderência conforme sua posição vertical.

\[ f_{bd}=\eta_1\eta_2\eta_3 f_{ctd} \] \[ l_b=\max\left(\frac{\phi}{4}\frac{f_{yd}}{f_{bd}},25\phi\right) \]
Resistência de aderência e comprimento básico de ancoragem.
Parâmetro Critério Valor
\(\eta_1\)Categoria do açoCA-50: 2,25; CA-60: 1,0.
\(\eta_2\)Condição de aderência1,0 para boa aderência; 0,7 para má aderência.
\(\eta_3\)Diâmetro da barra1,0 para as bitolas tratadas no escopo atual.
GanchoComprimento nominal\(8\phi\), arredondado para cima ao centímetro.
Dobramento internoMúltiplo de \(\phi\)CA-50: \(5\phi\) abaixo de 20 mm e \(8\phi\) a partir de 20 mm; CA-60: \(6\phi\) abaixo de 20 mm.

O comprimento necessário de ancoragem considera a relação entre área calculada e área fornecida quando essa relação está disponível, com mínimo associado ao comprimento básico, à bitola e a 10 cm.

\[ l_{b,nec}=\alpha_{anc}\,l_b\frac{A_{s,calc}}{A_{s,ef}} \] \[ l_{b,min}=\max(0{,}3l_b,10\phi,100\text{ mm}) \]
Comprimento necessário e mínimo de ancoragem.

Emendas por traspasse

As emendas são tratadas como traspasse entre barras. Para barras tracionadas, o coeficiente \(\alpha_{0t}\) depende da porcentagem de barras emendadas na mesma seção. Para barras comprimidas ou de distribuição, usa-se critério próprio de comprimento mínimo.

\[ l_{0t}=\max\left(\alpha_{0t}l_{b,nec},0{,}3\alpha_{0t}l_b,15\phi,200\text{ mm}\right) \]
Comprimento de traspasse em barras tracionadas.
\[ l_{0c}=\max\left(l_{b,nec},0{,}6l_b,15\phi,200\text{ mm}\right) \]
Comprimento de traspasse em barras comprimidas ou de distribuição.
Barras emendadas na seção α0t Aplicação
Até 20%1,2Emendas por traspasse de barras tracionadas.
Até 25%1,4
Até 33%1,6
Até 50%1,8
Acima de 50%2,0
Símbolo Descrição Unidade
\(f_{bd}\)Resistência de aderência de cálculo entre aço e concreto.MPa
\(\eta_1\)Coeficiente de aderência associado à categoria do aço.-
\(\eta_2\)Coeficiente associado à condição de aderência da barra.-
\(\eta_3\)Coeficiente associado ao diâmetro da barra.-
\(l_b\)Comprimento básico de ancoragem.m ou mm
\(l_{b,nec}\)Comprimento necessário de ancoragem.m ou mm
\(l_{b,min}\)Comprimento mínimo de ancoragem.m ou mm
\(l_{0t}\)Comprimento de traspasse para barras tracionadas.m ou mm
\(l_{0c}\)Comprimento de traspasse para barras comprimidas ou de distribuição.m ou mm
\(\alpha_{anc}\)Coeficiente de ancoragem aplicado ao comprimento básico.-
\(\alpha_{0t}\)Coeficiente de traspasse para barras tracionadas.-

Referência normativa considerada neste procedimento: ABNT NBR 6118:2026, itens 9.4.2.4, 9.5.2.1, 9.5.2.2, 9.5.2.3, Tabelas 9.3 e 9.4, conforme critérios usados no memorial.

10. Dimensionamento

Cisalhamento e estribos

O dimensionamento ao cisalhamento usa o maior valor absoluto do cortante de cálculo da envoltória de ELU em cada posição. A altura útil adotada para cisalhamento acompanha a face tracionada pelo momento de referência: momento positivo usa a armadura inferior; momento negativo usa a armadura superior. Se ambas existirem e o momento local não definir claramente a face, adota-se a menor altura útil válida.

\[ \alpha_{v2}=1-\frac{f_{ck}}{250} \] \[ V_{Rd2}=0{,}27\alpha_{v2}f_{cd}b_wd \] \[ V_c=0{,}6f_{ctd}b_wd \]
Resistência da biela comprimida e contribuição do concreto, Modelo I.
\[ f_{ywd}=\min(f_{yd},435\text{ MPa}) \] \[ \frac{A_{sw}}{s}= \max\left( \frac{(V_{Sd}-V_c)10^4}{0{,}9d\,f_{ywd}}, \frac{0{,}2f_{ctm}b_w}{f_{ywk}}\cdot10 \right) \]
Armadura transversal requerida.

Os estribos automáticos são verticais e fechados, com dois ramos. As bitolas avaliadas são 5,0 mm, 6,3 mm, 8,0 mm, 10,0 mm, 12,5 mm, 16,0 mm, 20,0 mm e 25,0 mm, respeitando diâmetro mínimo de 5 mm e limite superior igual a \(b_w/10\). O primeiro diâmetro capaz de atender à demanda com espaçamento preferencial mínimo de 9 cm é selecionado; se necessário, admite-se espaçamento menor, limitado ao mínimo operacional de 1 cm.

\[ s_{max}= \begin{cases} \min(0{,}6d,300\text{ mm}), & V_{Sd}\leq0{,}67V_{Rd2}\\ \min(0{,}3d,200\text{ mm}), & V_{Sd}>0{,}67V_{Rd2} \end{cases} \]
Espaçamento longitudinal máximo dos estribos.

Os trechos de estribos são formados por vãos-base entre faces de apoios e podem ser subdivididos quando a demanda de \(A_{sw}/s\) supera a capacidade do espaçamento mínimo requerido para o trecho. As divisões ocorrem nos pontos médios entre posições analisadas e são ajustadas para respeitar comprimento mínimo de trecho, limitado por \(1{,}5h\), 50 cm e mínimo absoluto de 20 cm. O espaçamento final de cada trecho é arredondado para baixo em múltiplos de 1 cm.

Símbolo Descrição Unidade
\(\alpha_{v2}\)Coeficiente redutor da resistência da biela comprimida.-
\(V_{Rd2}\)Força cortante resistente associada à biela comprimida.kN
\(V_c\)Parcela resistente de cortante atribuída ao concreto.kN
\(f_{ywd}\)Resistência de cálculo do aço dos estribos limitada a 435 MPa.MPa
\(f_{ywk}\)Resistência característica do aço dos estribos.MPa
\(A_{sw}/s\)Área de armadura transversal por unidade de comprimento.cm²/m
\(s\)Espaçamento longitudinal entre estribos.m ou mm
\(s_{max}\)Espaçamento longitudinal máximo permitido para os estribos.m ou mm

Referência normativa considerada neste procedimento: ABNT NBR 6118:2026, itens 17.4.1.1.1, 17.4.2.1, 17.4.2.2a, 17.4.2.2b e 18.3.3.2.

11. Detalhamento

Armadura de pele

A armadura de pele é considerada quando \(h>60\) cm. A área requerida por face é calculada como \(0{,}10\%\) da área da alma considerada no detalhamento. A seleção automática procura a menor bitola entre 5,0 mm, 6,3 mm, 8,0 mm, 10,0 mm e 12,5 mm que satisfaça simultaneamente a área mínima por face e o espaçamento vertical máximo de 20 cm.

\[ A_{s,pele,face}=0{,}001A_{c,alma} \]
Armadura de pele por face.

As barras de pele são distribuídas nas faces laterais ao longo do comprimento detalhado. Quando \(h\leq60\) cm, a armadura de pele não é gerada automaticamente.

Símbolo Descrição Unidade
\(A_{s,pele,face}\)Área mínima de armadura de pele em cada face lateral.cm²
\(A_{c,alma}\)Área de concreto da alma considerada para armadura de pele.cm²

12. Serviço

Flechas de serviço

As flechas são calculadas com rigidez fissurada equivalente por Branson e histórico simplificado de fluência. A combinação quase permanente é a referência da flecha total visível. Também são avaliadas flechas instantâneas de ações variáveis e deslocamentos relacionados a elementos construtivos, conforme limites exibidos no memorial.

\[ \alpha_e=\frac{E_s}{E_{cs}} \] \[ M_r=\alpha_r f_{ct} \frac{I_r}{y_t} \qquad \alpha_r=1{,}5 \]
Momento de fissuração e relação modular.

O momento de fissuração ativo considera a seção bruta transformada quando há armadura disponível para a seção. A distância \(y_t\) é tomada até a fibra tracionada correspondente ao sinal do momento.

\[ \frac{b_w}{2}x_{II}^2+ \left(\alpha_eA_s+(\alpha_e-1)A'_s\right)x_{II} -\left(\alpha_eA_sd+(\alpha_e-1)A'_sd'\right)=0 \] \[ I_{II}=\frac{b_wx_{II}^3}{3}+\alpha_eA_s(x_{II}-d)^2+(\alpha_e-1)A'_s(x_{II}-d')^2 \]
Linha neutra e inércia no estádio II.
\[ I_e= \left(\frac{M_r}{M_a}\right)^3I_c+ \left[1-\left(\frac{M_r}{M_a}\right)^3\right]I_{II} \quad \text{para } M_a>M_r \]
Inércia equivalente de Branson.

Quando \(M_a\leq M_r\), usa-se a inércia bruta. Nos vãos, o módulo adota uma inércia equivalente por regiões de momento, com tratamento híbrido para cargas concentradas dominantes. A curvatura é obtida de forma congelada a partir do momento de serviço e da rigidez equivalente:

\[ \kappa(x)=\frac{M_{ser}(x)}{E_{cs}I_e(x)} \]
Curvatura e deslocamento por integração.

A flecha é obtida por integração da curvatura, impondo deslocamento nulo nas faces dos apoios que delimitam cada vão. A fluência utiliza o coeficiente \(\xi(t)\) em função da idade em meses e considera idades padrão por origem do carregamento: peso próprio em 28 dias, ações permanentes em 2 meses e ações variáveis quase permanentes em 12 meses.

\[ \xi(t)= \begin{cases} 0{,}68\cdot0{,}996^t t^{0{,}32}, & t\leq70\text{ meses}\\ 2{,}0, & t>70\text{ meses} \end{cases} \] \[ E_c(t)=E_{cs}\sqrt{ \frac{13{,}26T(T+42)}{(9T+40)(T+61)} } \qquad T=30t\text{ dias} \]
Coeficiente de fluência simplificado e módulo por idade.
Verificação de flecha Limite usado Observação
Flecha total visível\(L_{v,ef}/250\)Combinação quase permanente.
Flecha instantânea por ação variável\(L_{v,ef}/350\)Diferença entre combinação rara e parcela permanente.
Alvenaria\(\min(L_{v,ef}/500,10\text{ mm})\)Referência para elementos construtivos sensíveis.
Divisória leve\(\min(L_{v,ef}/250,25\text{ mm})\)Referência para elementos leves.
Símbolo Descrição Unidade
\(\alpha_e\)Relação modular entre aço e concreto.-
\(\alpha_r\)Coeficiente aplicado no cálculo do momento de fissuração.-
\(f_{ct}\)Resistência à tração do concreto usada na fissuração.MPa
\(I_r\)Inércia da seção usada no cálculo do momento de fissuração.m⁴
\(y_t\)Distância até a fibra tracionada da seção.m
\(M_r\)Momento de fissuração.kN·m
\(M_a\)Momento atuante de serviço usado na inércia equivalente.kN·m
\(x_{II}\)Profundidade da linha neutra no estádio II.m
\(I_{II}\)Inércia da seção fissurada no estádio II.m⁴
\(A'_s\)Área de aço comprimido ou na face oposta à tracionada.cm² ou m²
\(d'\)Distância da borda comprimida ao centro da armadura comprimida.m ou mm
\(I_e\)Inércia equivalente usada no cálculo de flechas.m⁴
\(M_{ser}\)Momento fletor de serviço.kN·m
\(\kappa\)Curvatura da viga por posição.1/m
\(\xi(t)\)Coeficiente simplificado de fluência na idade \(t\).-
\(t\)Idade considerada para fluência.meses
\(T\)Idade equivalente usada na expressão do módulo por idade.dias
\(E_c(t)\)Módulo de elasticidade do concreto na idade \(t\).MPa
\(L_{v,ef}\)Comprimento efetivo do vão usado nos limites de flecha.m

Referência normativa considerada neste procedimento: ABNT NBR 6118:2026, Tabela 13.3 e Figura 17.3, conforme verificações de serviço apresentadas no memorial.

13. Resultados

Detalhamento e saídas técnicas

O detalhamento transforma as áreas de aço e regiões resistentes em barras físicas, com bitola, quantidade, camada, início, fim, ganchos, emendas e comprimento de corte. O desenho técnico usa as dimensões físicas da viga, faces dos apoios, extensões externas de apoios de extremidade e posições de cortes transversais.

  1. Define-se a armadura longitudinal requerida por face ao longo de \(x\), já com decalagem e mínimos.
  2. Gera-se armadura de base contínua e reforços adicionais nos trechos de demanda superior.
  3. Verifica-se o alojamento horizontal e vertical das barras conforme cobrimento, estribo, diâmetro e agregado considerado.
  4. Calculam-se comprimentos de ancoragem, efeitos de ganchos, emendas por traspasse e área efetiva resistente.
  5. Dimensionam-se os estribos por trecho, com bitola, dois ramos e espaçamento arredondado em grade de 1 cm.
  6. São emitidos diagramas, verificações, avisos técnicos, quantitativos e desenho técnico quando disponíveis.

Os comprimentos de corte são arredondados para cima em múltiplos de 5 cm. As posições de início e fim de barras geradas automaticamente são arredondadas para fora na mesma grade, com uma margem adicional de 5 cm quando o prolongamento é produzido automaticamente.

14. Escopo explícito

Limitações técnicas do módulo atual

As delimitações abaixo fazem parte do escopo técnico da versão documentada e devem ser consideradas na decisão de uso dos resultados.

Tema Não contemplado automaticamente Consequência prática
Modelo globalPórticos espaciais, grelhas, lajes, fundações e interação entre vigas.O profissional deve avaliar o sistema estrutural completo fora do módulo.
GeometriaSeções não retangulares, mesas colaborantes, vigas curvas, seção variável e aberturas.Os resultados se aplicam à idealização retangular prismática adotada.
AçõesTorsão, axial, cargas horizontais, temperatura, retração imposta, recalques, sismos, impacto, ações excepcionais e alternância automática por vãos.Esses efeitos precisam ser analisados por procedimento externo quando forem relevantes.
DetalhamentoEstribos inclinados, múltiplos ramos gerados automaticamente, armadura soldada, protensão e suspensão de cargas.O detalhamento automático permanece restrito às famílias descritas nesta documentação.
DurabilidadeClasse de agressividade ambiental e verificação automática do cobrimento normativo.O cobrimento informado é utilizado; sua adequação deve ser definida pelo profissional.
Estados específicosIncêndio, fadiga, vibração especializada e verificações locais de regiões especiais.Não devem ser presumidos a partir da ausência de alerta.

15. Consulta rápida

Simbologia e unidades

A tabela abaixo consolida os símbolos utilizados nesta documentação, com descrição e unidade de referência. Grandezas sem dimensão são indicadas com “-”.

Símbolo Descrição Unidade
\(A_c\)Área bruta de concreto da seção.cm² ou m²
\(A_{c,alma}\)Área de concreto da alma considerada para armadura de pele.cm²
\(A_s\)Área de aço longitudinal tracionado ou de referência na face analisada.cm² ou m²
\(A'_s\)Área de aço comprimido ou na face oposta à tracionada.cm² ou m²
\(A_s(M_{d,min})\)Área de aço calculada para o momento mínimo de flexão.cm²
\(A_{s,apoio}\)Área positiva mínima requerida junto ao apoio.cm²
\(A_{s,calc}\)Área de aço calculada pela demanda de flexão.cm²
\(A_{s,ef}\)Área efetivamente resistente desenvolvida na posição analisada.cm²
\(A_{s,forn}\)Área geométrica total de aço fornecida pelas barras escolhidas.cm²
\(A_{s,min}\)Área mínima de aço longitudinal.cm²
\(A_{s,nom}\)Área nominal da barra ou conjunto de barras considerado.cm²
\(A_{s,pele,face}\)Área mínima de armadura de pele em cada face lateral.cm²
\(A_{s,req}\)Área de aço longitudinal requerida pela análise e verificações.cm²
\(A_{s,vão}\)Área positiva requerida ou fornecida no vão adjacente.cm²
\(A_{sw}/s\)Área de armadura transversal por unidade de comprimento.cm²/m
\(a_{h,min}\)Espaçamento livre horizontal mínimo entre barras longitudinais.mm
\(a_l\)Comprimento de decalagem do diagrama de momentos.m
\(a_{v,min}\)Espaçamento livre vertical mínimo entre camadas de barras.mm
\(b_p\)Dimensão do pilar na direção considerada para a flexão.m
\(b_w\)Largura da seção retangular da viga.m ou mm
\(c_{ef}\)Coeficiente efetivo usado na conversão não linear do engastamento.-
\(c_{nom}\)Cobrimento informado pelo usuário e usado no detalhamento.m ou mm
\(c_{\theta}\)Coeficiente de engastamento informado para uma face de apoio.-
\(d\)Altura útil até o centro de gravidade da armadura tracionada considerada.m ou mm
\(d'\)Distância da borda comprimida ao centro da armadura comprimida.m ou mm
\(d_{agg}\)Diâmetro máximo característico do agregado.mm
\(E_c(t)\)Módulo de elasticidade do concreto na idade \(t\).MPa
\(E_{ci}\)Módulo de elasticidade inicial do concreto.MPa
\(E_{cs}\)Módulo de elasticidade secante do concreto.MPa
\(E_s\)Módulo de elasticidade do aço.MPa
\(F_d\)Efeito de cálculo para combinação de ELU.kN ou kN/m
\(\mathbf{F}\)Vetor global de forças e momentos nodais equivalentes.kN e kN·m
\(F_{ser}\)Efeito de serviço para combinações de ELS.kN ou kN/m
\(f_{bd}\)Resistência de aderência de cálculo.MPa
\(f_{cd}\)Resistência de cálculo à compressão do concreto.MPa
\(f_{ck}\)Resistência característica do concreto à compressão.MPa
\(f_{cm}\)Resistência média do concreto à compressão.MPa
\(f_{ct}\)Resistência à tração do concreto usada na fissuração.MPa
\(f_{ctd}\)Resistência de cálculo do concreto à tração.MPa
\(f_{ctk,inf}\)Resistência característica inferior do concreto à tração.MPa
\(f_{ctk,sup}\)Resistência característica superior do concreto à tração.MPa
\(f_{ctm}\)Resistência média do concreto à tração direta.MPa
\(f_{yd}\)Resistência de cálculo do aço.MPa
\(f_{ywd}\)Resistência de cálculo do aço dos estribos limitada a 435 MPa.MPa
\(f_{ywk}\)Resistência característica do aço dos estribos.MPa
\(G\)Parcela permanente considerada na combinação.kN ou kN/m
\(G_c\)Módulo de elasticidade transversal do concreto.MPa
\(h\)Altura total da seção retangular da viga.m ou mm
\(h_{ef}\)Altura efetiva local considerada junto aos apoios.m
\(h_p\)Dimensão transversal do pilar usada no cálculo de inércia.m
\(I_{an}\)Inércia adotada na análise elástica do elemento.m⁴
\(I_c\)Inércia bruta da seção de concreto.m⁴
\(I_e\)Inércia equivalente para cálculo de flechas.m⁴
\(I_{ef}\)Inércia efetiva local associada à altura efetiva.m⁴
\(I_{II}\)Inércia da seção fissurada no estádio II.m⁴
\(I_p\)Inércia da seção do pilar conectado à viga.m⁴
\(I_r\)Inércia da seção usada no cálculo do momento de fissuração.m⁴
\(i\)Índice de ação variável na somatória.-
\(\mathbf{K}\)Matriz global de rigidez estrutural.kN/m, kN e kN·m/rad por termo
\(k_e\)Matriz local de rigidez à flexão de um elemento.kN/m, kN e kN·m/rad por termo
\(k_{ref}\)Rigidez rotacional de referência para a face engastada.kN·m/rad
\(k_{\theta}\)Rigidez rotacional adotada para a face de apoio.kN·m/rad
\(k_{\theta,p}\)Rigidez rotacional equivalente de um lance de pilar.kN·m/rad
\(L\)Comprimento geométrico informado para a viga.m
\(L_p\)Comprimento geométrico do lance de pilar.m
\(L_{p,ef}\)Comprimento efetivo do lance de pilar para rigidez rotacional.m
\(L_v\)Comprimento do vão associado à face de apoio.m
\(L_{v,ef}\)Comprimento efetivo do vão usado nos limites de flecha.m
\(l_b\)Comprimento básico de ancoragem.m ou mm
\(l_{b,min}\)Comprimento mínimo de ancoragem.m ou mm
\(l_{b,nec}\)Comprimento necessário de ancoragem.m ou mm
\(l_{0c}\)Comprimento de traspasse para barras comprimidas ou de distribuição.m ou mm
\(l_{0t}\)Comprimento de traspasse para barras tracionadas.m ou mm
\(\ell\)Comprimento do elemento finito de viga.m
\(M(x)\)Momento fletor determinado por posição.kN·m
\(M_a\)Momento atuante de serviço usado na inércia equivalente.kN·m
\(M_{apoio}\)Momento negativo de referência no apoio.kN·m
\(M_{d,min}\)Momento mínimo usado para armadura mínima de flexão.kN·m
\(M_{el,0}\)Momento local determinado no início do elemento.kN·m
\(M_{neg,el}\)Momento negativo elástico antes da redistribuição.kN·m
\(M_{neg,red}\)Momento negativo após a redistribuição adotada.kN·m
\(M_r\)Momento de fissuração.kN·m
\(M_{Rd}\)Momento resistente de cálculo.kN·m
\(M_{Sd}\)Momento solicitante de cálculo.kN·m
\(M_{Sd,dec}\)Momento solicitante de cálculo após decalagem.kN·m
\(M_{ser}\)Momento fletor de serviço.kN·m
\(M_{vão}\)Momento positivo de referência no vão adjacente.kN·m
\(M_{z,+}\)Envoltória de momento positivo por posição.kN·m
\(M_{z,-}\)Envoltória de momento negativo por posição.kN·m
\(M_{z,m}\)Momento fletor da combinação \(m\) na direção \(z\).kN·m
\(m\)Índice da combinação de ELU analisada na formação da envoltória.-
\(Q_{k,i}\)Demais ações variáveis características participantes da combinação.kN ou kN/m
\(Q_{k,r}\)Ação variável característica tomada como principal na combinação.kN ou kN/m
\(q\)Intensidade de carga uniformemente distribuída.kN/m
\(q_{pp}\)Carga distribuída de peso próprio da viga.kN/m
\(r\)Índice da ação variável tomada como principal.-
\(s\)Espaçamento longitudinal entre estribos.m ou mm
\(s_{max}\)Espaçamento longitudinal máximo permitido para os estribos.m ou mm
\(t\)Idade considerada para fluência.meses
\(T\)Idade equivalente usada na expressão do módulo por idade.dias
\(\mathbf{u}\)Vetor global de deslocamentos e rotações nodais.m e rad
\(V(x)\)Esforço cortante determinado por posição.kN
\(V_c\)Parcela resistente de cortante atribuída ao concreto.kN
\(V_{el,0}\)Cortante local determinado no início do elemento.kN
\(V_{Rd2}\)Força cortante resistente associada à biela comprimida.kN
\(V_{Sd}\)Cortante solicitante de cálculo.kN
\(V_{y,+}\)Envoltória de cortante positivo por posição.kN
\(V_{y,-}\)Envoltória de cortante negativo por posição.kN
\(V_{y,m}\)Esforço cortante da combinação \(m\) na direção \(y\).kN
\(v\)Deslocamento vertical nodal.m
\(W\)Resultante equivalente de uma carga distribuída uniforme.kN
\(W_0\)Módulo resistente elástico da seção bruta retangular.mm³
\(x\)Coordenada longitudinal global da viga.m
\(x_f\)Coordenada final de uma carga distribuída, barra ou trecho.m
\(x_i\)Coordenada inicial de uma carga distribuída, barra ou trecho.m
\(x_{II}\)Profundidade da linha neutra no estádio II.m
\(x_{LN}\)Profundidade da linha neutra no dimensionamento à flexão simples.mm
\(x_{loc}\)Coordenada local dentro de um elemento de viga.m
\(x_s\)Coordenada fonte pesquisada dentro do intervalo de decalagem.m
\(y_t\)Distância até a fibra tracionada da seção.m
\(\alpha_E\)Coeficiente associado ao tipo de agregado do concreto.-
\(\alpha_e\)Relação modular entre aço e concreto.-
\(\alpha_i\)Coeficiente de ajuste entre módulo inicial e módulo secante.-
\(\alpha_r\)Coeficiente aplicado no cálculo do momento de fissuração.-
\(\alpha_{anc}\)Coeficiente de ancoragem aplicado ao comprimento básico.-
\(\alpha_{0t}\)Coeficiente de traspasse para barras tracionadas.-
\(\alpha_{v2}\)Coeficiente redutor da resistência da biela comprimida.-
\(\Delta h_{apoio}\)Acréscimo local de altura por contribuição geométrica do apoio.m
\(\eta_1\)Coeficiente de aderência associado à categoria do aço.-
\(\eta_2\)Coeficiente associado à condição de aderência da barra.-
\(\eta_3\)Coeficiente associado ao diâmetro da barra.-
\(\eta_c\)Coeficiente de ajuste do bloco comprimido de concreto.-
\(\gamma_c\)Coeficiente de ponderação da resistência do concreto.-
\(\gamma_s\)Coeficiente de ponderação da resistência do aço.-
\(\kappa\)Curvatura da viga por posição.1/m
\(\lambda\)Fator de vinculação da armadura positiva do apoio à armadura do vão.-
\(\theta\)Rotação nodal.rad
\(\phi\)Diâmetro nominal da barra.mm
\(\phi_l\)Diâmetro nominal da barra longitudinal considerada no alojamento.mm
\(\psi_0,\psi_1,\psi_2\)Coeficientes de combinação de ações variáveis.-
\(\xi(t)\)Coeficiente simplificado de fluência na idade \(t\).-